Paraguai assume a presidência rotativa do Mercosul

0
8

A pressão cada vez maior dos Estados Unidos na Venezuela colocou Brasil e Argentina em lados opostos na reunião de cúpula do Mercosul realizada no sábado último ( 20), em Foz do Iguaçu. A reunião marcou a despedida do Brasil da presidência rotativa do Mercosul, depois de seis meses. O presidente Lula passou o comando do bloco para o paraguaio Santiago Peña.

No discurso, Lula não mencionou diretamente o nome dos Estados Unidos ao fazer referência aos recentes movimentos militares americanos no mar do Caribe. E chamou de catástrofe uma possível intervenção armada na Venezuela.

O presidente brasileiro lembrou o conflito entre Argentina e Reino Unido pelas Ilhas Malvinas, em 1982, para dizer que a América do Sul voltou a ser assombrada pela presença militar de uma potência que não pertence à região.

“Passadas mais de quatro décadas desde a guerra das Malvinas, o continente sul-americano volta a ser assombrado pela presença militar de uma potência extrarregional. Os limites do direito internacional estão sendo testados. Uma intervenção armada na Venezuela seria uma catástrofe humanitária para o hemisfério e um precedente perigoso para o mundo”, disse o presidente.

Desde setembro, o governo Trump tem bombardeado barcos que afirma estarem transportando drogas no Caribe, mas não apresenta provas para sustentar as acusações. O presidente americano também anunciou um bloqueio total a embarcações petroleiras, sob sanção, que entram e saem da Venezuela.

O presidente argentino, Javier Milei, participou da cúpula em Foz do Iguaçu e discordou da posição do presidente Lula. “A Venezuela continua sofrendo de uma crise política, humanitária e social devastadora. A ditadura atroz e desumana do narcoterrorista Nicolás Maduro amplia uma sombra escura sobre nossa região. Esse perigo e essa vergonha não podem continuar existindo no nosso continente”, afirmou Milei. “A Argentina saúda a pressão dos EUA e de Donald Trump para libertar o povo venezuelano. O tempo de ter uma abordagem tímida nessa matéria se esgotou.”

ACORDO MERCOSUL – UE – O acordo de comércio entre o Mercosul e a União Europeia também provocou discordância entre os presidentes Lula e Milei. O argentino criticou a demora na assinatura e defendeu mudança no formato do bloco sul-americano. O presidente Lula lamentou o adiamento da assinatura, prevista para este dia 20 de dezembro último, mas reforçou a manutenção das negociações com a Europa — e disse esperar um resultado final em janeiro.

A mudança de planos foi motivada, principalmente, por pressão de Itália e França. Nos dois países, há enorme pressão protecionista a favor da reserva de mercado para agricultores do bloco, que se posicionam fortemente contra qualquer abertura comercial. Nos últimos dias, os protestos chegaram a Bruxelas, sede do Parlamento Europeu. As negociações começaram há 26 anos.
• Comunicação – Em 22-12-2025 – ( Com informações do G1 e JN)
• Foto : Reprodução .

Facebook Comments Box

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui